Me da saudade, sempre sinto saudade.
Tenho saudade do tempo em que eu brincava de bolinha de gude, que eu rodava pião, soltava pipa, andava o dia inteiro de bicicleta. Saudade do tempo em que eu fazia birra pra comer e que meu pai me dava AQUELA bronca e dizia que não sairia da mesa enquanto eu não comesse toda à comida, e eu lá desesperado porque o desenho ia começar, logo o pica-pau que eu idolatrava.
Saudade de quando eu simpatizava com qualquer outra criança e depois de 10 minutos do lado dela ja a achava um super amigo, que eu poderia contar sempre e chamar pra brincar a todas as horas.
Saudade da raiva que me dava quando minha mãe ia trabalhar e me deixava com a vizinha, que diga-se de passagem, é muito chata (até hoje).
Saudade de não saber ler e juntar mil letras num papel e todo animado, sair correndo pra minha mãe e perguntar: "o que eu escrevi mãe?" e ela sempre sincera: "Nada filho" e nesse momento eu ficava triste, mas voltava correndo pra minha cama com meus cadernos e minhas canetinhas e tentava escrever outra palavra imediatamente.
Saudade da minha professora/heroína da 3ª série, professora Maristela, que sim, no auge dos meus 8 anos a amava.
Saudade de alguns valentões das minhas salas que tentavam me bater DO NADA e que nunca conseguiam, não por eu ser fortinho e grande, e sim porque eu era o gordinho mais rápido que ja conheci na vida, corria como ninguém.
Saudade de ir pro trabalho da minha mãe todos os dias depois da aula e la almoçar e esperar ela sair, pra assim voltar-mos cansados pra mais um descanço preparatório pro dia seguinte.
Saudade daquela rotina, saudade daquelas pessoas, saudades daquela inoscência.
Saudade do tempo em que eu não sabia o que eram decepções amorosas e nem falsidade, quando eu confiava nos olhares e nas risadas e que se não se gostava de uma pessoa, não gostava e pronto, não tinha que se fingir nada.
Saudade de quando chamava minha mãe quase que toda hora, todos os dias, pra mostrar coisas que fazia ou contar coisas que via, contar piadas que quase sempre não tinham graça alguma, mas que a faziam rir pelo auto teor de falta de graça hahaha, irônico né.
Saudade de ver meu pai chegar do trabalho e ir correndo pular no colo dele, e ele mesmo cansado me pegar e ainda brincar comigo horas antes do jantar.
Saudade do tempo em que não tinhamos muita coisa, ja que mudamos de uma casa minúscula para uma maior. Tinha tanto espaço que dava até pra se jogar futebol na sala, eu amava, minha mãe não, ja que eu sempre conseguia quebrar a lâmpada.
Saudade de quando minhas pernas não encostavam no chão ao me sentar em cadeiras ou no sofá.
Saudade dos meus 4 anos, quando em achava super maduro só por ter ficado 2 dias sem ter feito xixi na cama.
Saudade dos meus 6 anos, quando achava que os 17 anos que meu irmão tinha ainda estavam MUITO longe pra mim.
Tenho saudade de milhões de coisas, coisas simples, mas que faziam toda a diferença pra mim, uma brincadeira, um comprimento, as pessoas que me cercavam, um mc lanche feliz, um yo-yo. Minha felicidade estava nas coisas pequenas e da miha infância eu ainda carrego medos e sim, pode ter certeza que não abandonei esse sentimento de 'simplicidade traz felicidade' e mesmo hoje, conservo muitas dessas coisas e espero assim ser até o fim dos meus dias.
Eu amo ser esse muleque careta, que brinca em horas erradas, que as vezes ostenta coisas que não deve, que toma bronca dos pais por atrasos de voltar pra casa, que é inseguro com sua aparência, que sabe respeitar e amar, que procura o amor perfeito e que na maioria das vezes sabe o que quer, e logo depois não. Sou estranho, confesso. Tenho meus defeitos que quem me conheçe sabe quais são, mas eu quero sempre ser melhor e reinventar um David que pode estar errado, mas que ao se reinventar, se refazer, melhora e continua vivendo do seu singelo modo.
Tenho minhas ambições e meus sonhos, estou correndo atrás e espero conseguir todos, não são impossiveis, mas eu chego la. Vem comigo ?
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